Lost - The end

28 de mai. de 2010


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Na primeira vez que ouvi falar de Lost, pensei que se tratasse de um remake moderninho de Robinson Crusoé. Em vez do naufrágio, um acidente de avião. Em vez da refrega de um puritano contra as intempéries da natureza, a luta de um grupo multiétnico para vencer os preconceitos e se manter unido. No mais, a série seguiria o figurino da sobrevivência a qualquer custo. Num dia você consegue caçar um javali, no outro se contenta em comer amoras, e no outro, para não morrer de fome, aceita mastigar as nádegas do seu vizinho de poltrona. 
Desde o primeiro episódio, porém, Lost mostrou que estava longe desses clichês. A ilha em que caíram os sobreviventes do Voo 815 possuía peculiaridades avessas a qualquer explicação. Monstros de fumaça, por exemplo. Ursos polares. Alçapões que mais tarde revelariam laboratórios e estranhas experiências científicas. Antes de se resolverem, os enigmas se desdobravam sobre si mesmos e se transformavam em mais mistério e cogitação. Teorias pipocaram na internet, e os “losties”, como passaram a se chamar os fãs da série, multiplicaram-se ao redor do mundo. 
O último episódio,durou 150 minutos (45 só de publicidade, rendendo US$ 175 milhões à rede de televisão ABC), mas a audiência ficou aquém da média esperada: “apenas” 13,5 milhões de espectadores. Como já era esperado, muitas perguntas levantadas ao longo da série ficaram sem respostas convincentes. No entanto, se isso desagradou uma parte dos fãs, certamente alucinará a outra, que ficaria órfã sem os fóruns on-line e a elucidação de teorias. Para não estragar a diversão dos interessados, hoje evitarei comentários sobre as opções dos roteiristas para o desfecho da saga (tão previsível que chegou a ser uma surpresa!), limitando-me a discorrer sobre algo mais urgente. 
Apesar de certos exageros difundidos pela sempre deslumbrada imprensa americana, Lost é verdadeiramente um marco na história da cultura pop. Pode não ter sido a série de TV mais vista ou mais criativa da década, mas, paradoxalmente, foi a mais discutida e a mais ousada. Assim como Kung Fu, Dallas, Twin Peaks e Arquivo X fizeram em suas respectivas épocas, Lost trouxe inúmeras novidades narrativas para o formato, nisso incluindo a utilização da internet, e provou, de uma vez por todas, que o público aprecia enredos não-lineares que desafiam seu intelecto e sua capacidade de dedução. 
Esse é o principal legado da série, e é por isso que ela merece nossos aplausos.


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