Mais 200 anos

12 de ago de 2010


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Sobre as eleições presidenciais, gostaria de fazer uma pequena anotação. Desde a abertura democrática, em 1985, que se consolidou com as eleições diretas de 1989, o Palácio do Planalto foi ocupado pelos três principais partidos de oposição à ditadura ou a seus herdeiros institucionais. Por ordem cronológica: o PMDB de Sarney, o PSDB de Fernando Henrique Cardoso e o PT de Lula. (Já que a discussão é séria, vamos combinar que o PRN de Fernando Collor não entra nessa história, ok?).
O PMDB, que no tempo da ditadura se chamava apenas MDB (Movimento Democrático Brasileiro), surgiu em 1965 para fazer oposição à ARENA e aplacar a “dor de corno” de uma classe média que se sentia traída pelos militares. Sob um regime violento e pouco afeito ao diálogo, o MDB praticou uma oposição possível e prudentemente mansa. Ainda que com o homem errado (José Sarney é ex-ARENA), o partido chegou ao poder no momento certo.
Já o PSDB foi fundado em 1988, logo depois da promulgação da Constituição, por dissidentes do PMDB que propunham ao país um “socialismo democrático” e, cá entre nós, não se sentiam muito à vontade com os sindicalistas barbudos do PT. Produzidos pelo “iluminismo uspiano”, os objetivos do PSDB eram de alcance estrutural, mas com forte ataque às miudezas práticas da vida pública, daí a ênfase nos planos econômicos e na humanização (?!) do capitalismo brasileiro.
E o PT, por fim, cuja história é bastante conhecida, nasceu com as grandes greves do ABC Paulista, no finzinho da ditadura, que findaram na construção de figuras messiânicas como Lula e… pois é… Lula. O partido amadureceu durante os anos 1990. Ao tomar o poder, embora tenha mantido a política econômica do governo anterior, centralizou as ações sociais sob a bandeira do Bolsa-Família como estratégia de distribuição de renda.
De alguma forma, todos esses partidos contribuíram para a transformação do país, mas todos, sem exceção, protagonizaram escândalos de incompetência e corrupção. Todos possuem uma origem comum, e por isso, enquanto ocuparam o poder, quiseram as mesmas coisas, ainda que por caminhos diversos. E é aí que chegamos a uma constatação aparentemente positiva:
- Mesmo com todas as cafajestagens e falcatruas a que assistimos na TV, parece que nossas instituições políticas estão se fortalecendo, visto que é possível, através do voto direto, o rodízio de tendências e denominações no poder. Se isso se mantiver por, digamos, mais 200 anos, o Brasil ainda será um país de verdade.

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